domingo, 9 de novembro de 2008

Linea Vs Civic






A Fiat resolveu voltar ao segmento dos sedãs médios e sabe que, para se consolidar nessa disputada categoria, é necessário um produto de destaque. Para isso, ela investiu em um carro global e lançará uma nova gama de motores no Brasil. Dessa forma, o Linea chega ao mercado nas versões 1.9 16V, 1.9 16V Dualogic, Absolute e T-Jet, esta com o bloco 1.4 l 16V turbo de 152 cv importado da Itália.

Com uma expectativa inicial modesta de vendas (2 500 a 3 000 veículos por mês), a montadora italiana sabe que está entrando em um “terreno de cobras” e que qualquer desatenção, como uma estratégia de marketing e vendas mal sucedida, poderá ser fatal. Por isso, o portal Carro Online reuniu o novato com o Honda Civic, lançado em 2006 e atual líder nessa faixa.

Para este comparativo, escolhemos o Linea 1.9 16V Dualogic equipado com o kit Essence, que adiciona ao veículo rodas de liga leve de 16”, sensor de estacionamento e ar-condicionado digital. Nessa configuração, seu preço sugerido é R$ 66 500. De acordo com estimativas da fabricante, essa opção deverá ser responsável pela maior parte do mix de vendas do produto. Ao seu lado, emparelhamos o Civic LXS equipado com câmbio automático, cujo preço tabelado é R$ 70 520. Convidamos você, nosso leitor, a conhecer de perto as virtudes e vícios de cada carro em nossa reportagem inédita na internet. Acompanhe!

Mecânica/desempenho

O Honda traz para a pista seu moderno motor 1.8 l 16V com a tecnologia i-VTEC, que calcula o melhor tempo para abertura e fechamento das válvulas. O bloco produz 140 cv de potência a 6 200 rpm e 17,7 kgfm de torque a 4 300 rpm quando abastecido com álcool. Além disso, conta com acelerador eletrônico, transmissão automática de 5 velocidades e possui o Honda Grade Logic Control, dispositivo que gerencia eletronicamente a escolha da melhor marcha a ser engatada.

A Fiat, por sua vez, introduziu com o Linea o motor 1.9 l 16V criado por engenheiros brasileiros e fabricado na unidade da FPT (Fiat Powertrain Technologies) em Córdoba, na Argentina. Segundo a fabricante, o propulsor é inédito e conta com um novo sistema de lubrificação, chamado jet-cooling, no qual os injetores borrifam óleo nos pistões para resfriá-los e o sistema blow-by, que elimina a pressão causada pela vaporização do lubrificante. Esse conjunto desenvolve 132 cv de potência a 5 750 rpm e 18,6 kgfm de torque a 4 500 rpm também com álcool. O câmbio automatizado Dualogic, de 5 velocidades, oferece a opção de trocas seqüenciais e uma programação esportiva acionada por meio de uma tecla “S” ao lado da alavanca. Com ela selecionada, as marchas são trocadas rapidamente e a um giro mais alto.

De acordo com nossas medições, o Honda Civic acelerou de 0 a 100 km/h em 12s e precisou de 213,2 m para isso. A retomada de 60 a 120 km/h foi cumprida em 12s3. O Fiat Linea 1.9 l 16V Dualogic, por sua vez, levou 12s1 para sair da imobilidade e atingir os 100 km/h em um espaço de 210,8 m. Em nossa pista de testes, ele fez a retomada de 60 a 120 km/h em 12s5.

Vale ressaltar que a unidade disponibilizada pela Fiat estava abastecida com gasolina e foi enviada diretamente para a pista. Por isso, não tivemos condições de testá-lo com álcool e extrair os melhores números. Com petróleo no tanque, os números do Linea caem para 130 cv de potência a 5 750 rpm e 18,1 kgfm de torque a 4 500 rpm. Sendo assim, os dados acima têm caráter praticamente ilustrativo e demonstram quase uma paridade entre os dois modelos, mas o Civic leva pequena vantagem e vence no item.

Dirigibilidade

Duas escolas diferentes, duas propostas diferentes. Em termos de dirigibilidade, é assim que podemos classificar o comportamento de Linea e Civic. Enquanto o veículo de origem japonesa tem “mais chão”, como se costuma dizer na gíria, ou seja, o motorista fica em uma posição mais baixa e o carro responde prontamente aos comandos, o três-volumes de origem italiana posiciona o condutor de maneira mais elevada, como é característica dos Fiat, claramente voltada ao conforto.

Não que o Civic fique atrás quando o assunto é tratar bem seus ocupantes, pelo contrário, sua suspensão traseira do tipo Double Wishbone é referência no mercado e alia a esportividade que a Honda quis incorporar nesta geração do Civic com o conforto que o segmento no qual ele está inserido demanda. Outro traço notável é a direção com respostas rápidas, o que lhe confere agilidade acima da média.

Com um conjunto de suspensão mais convencional (McPherson na dianteira e semi-independente na traseira), o Linea desponta, ao lado do irmão Punto, como o melhor modelo da Fiat quando o assunto é dirigibilidade. Porém, o fator que inclina a balança nesse item a favor do Civic é seu entreeixos, 10 cm maior (2,70 m ante 2,60 m) que o do concorrente. Dinamicamente, esse dado implica em mais estabilidade e equilíbrio quando conduzimos o modelo em uma estrada, por exemplo. Por isso, quando o assunto é dirigibilidade, o Honda fica em primeiro lugar.

Design

O New Civic, como foi batizado pela Honda, obteve logo de cara o mérito de conquistar não só os corações dos fãs de sedãs como também o de alguns veículos médios. O segredo para tanto estava na traseira curta e na silhueta, que lembra a curvatura de um cupê. Para reforçar tudo isso, até as versões (LX e EX nas antigas gerações) passaram a ostentar um S para caracterizar a nova pegada mais esportiva que o Civic exibiria daquele ponto em diante.

O design de seu interior também é apontado por seu público como um dos apelos de compra. O painel digital em dois níveis e os instrumentos e botões bem posicionados compõem um ambiente aconchegante para o motorista.

Na outra ponta, o Fiat Linea apresenta-se como um carro elegante e que consegue transmitir uma sensação de robustez a quem o contempla. Isso é obtido, principalmente, com a inclusão de uma grade frontal que invade o pára-choque, os faróis amplos e o vinco lateral em formato de cunha.

Observando os dois lado a lado, podemos concluir que a época de ouro do Civic começa a decair e seu desenho está prestes a envelhecer. Que o Linea ficou bem resolvido, isso é fato, mas ainda falta aquela sensação de “algo a mais”. Portanto, nesse quesito, nada mais justo que um empate.

Acabamento/espaço/ergonomia

A grande sacada do Linea, não só em relação ao Civic como aos seus concorrentes em geral, é a coragem de inovar ao introduzir um interior que pode mesclar tonalidades claras (nas versões Absolute e T-Jet) e fugir do estigma de que “brasileiro só gosta de interior escuro”. O grande problema é quando passamos a analisar a cabine do Linea nos mínimos detalhes. Algumas peças, como o plástico ao redor da janela espia do pára-brisa, por exemplo, não têm um encaixe justo com o restante do painel. O Civic, apesar do interior mais sóbrio, é primoroso no acabamento e até mesmo o desenho dos componentes internos favorece a ausência de desníveis ou rebarbas em peças plásticas.

Com relação ao espaço, retomamos novamente a questão do maior entreeixos em favor do Civic. Além de ampliar a distância entre os assentos dianteiros e traseiros, proporcionando mais espaço para as pernas, ele conta com assoalho traseiro plano, o que melhora consideravelmente o conforto oferecido aos passageiros. Porém, o grande calcanhar-de-aquiles do Civic ainda é seu porta-malas, com capacidade para 340 litros ante 500 litros do Linea. No quesito ergonomia, os dois carros se equivalem, com controles de fácil interpretação e voltados para o motorista. Mas a vitória na combinação desta disputa fica com o Civic.

Manutenção/seguro/garantia

Linea e Civic possuem garantia estipulada em três anos sem limite de quilometragem, sendo que o primeiro conta com revisões a cada 15 000 km e o segundo tem manutenções programadas a cada 10 000 km. Em nossa cesta de peças composta por amortecedores dianteiros, jogo de pastilhas, retrovisor direito e pára-lama esquerdo, as concessionárias da Honda pediram R$ 1 418 pelos itens, enquanto a Fiat informa que o preço sugerido aos revendedores ficará em R$ 1 337 para o Linea (até a época da finalização deste comparativo, as lojas da marca não tinham a tabela de preços).

Quanto ao seguro, o valor da apólice para o Civic ficou em R$ 2 718 contra R$ 2 452 do preço cotado para o Linea. Como os números provam, o Linea ganha pontos neste quesito.

Mercado/preço/equipamentos

Em outubro, o Civic registrou números de venda impressionantes. Segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), o sedã médio da Honda contabilizou no último mês 6 776 unidades colocadas nas ruas. Com isso, ele passou a ocupar a 7ª posição no ranking geral de vendas, atrás do Chevrolet Celta e na frente do Fiat Siena, outro sedã, porém de uma categoria inferior. Para ter uma idéia, o Civic vendeu mais que seus dois principais concorrentes, o Toyota Corolla e o Chevrolet Vectra, que somaram 6 477 unidades.

Lançado no mês passado, o Linea contabilizou 938 unidades vendidas, quantidade bem distante da projeção estipulada pela Fiat. Em compensação, por R$ 66 500, o sedã médio da Fiat tem como principais itens de série ABS, airbag duplo, direção hidráulica, ar-condicionado digital, trio elétrico, rodas de liga leve de 16”, sensor de estacionamento, MP3 player com comandos no volante, computador de bordo e piloto automático.

Nesse ponto, o Civic perde por ser mais caro, R$ 70 520, e ficar devendo o computador de bordo e o sensor de estacionamento. Além disso, o ar-condicionado na versão LXS conta com acionamento manual.

Conclusão

Descontando o item em que ocorreu empate (Design), o placar final ficou em 3 x 2 para o Honda Civic, com vitória nos quesitos Mecânica/desempenho, Dirigibilidade e Acabamento/espaço/ergonomia.

O Fiat Linea, melhor quando se trata de preço e Manutenção/seguro/garantia e Mercado/preço/equipamentos, está no nível de seus concorrentes, mas ainda não é uma referência no segmento.

O fato de emparelhar em alguns itens com o Civic só realça que o modelo tem qualidades para recolocar a montadora nessa fatia do mercado. Mas, por enquanto, a liderança continua com o sedã oriental.




































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